quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Casamentos precoces, a última e devastadora doença da infância

Estou soando lúgubre? Desculpem. Também eu conheço dezenas de casamentos bonitos que começaram aos 20. Alguns deles, na verdade, iniciaram no colégio e continuam até hoje. Produziram filhos, patrimônio e lealdades profundas. São relações bem-sucedidas, ainda que tenham deixado de ser intensas na acepção romântica e erótica da palavra.

Quando você casa aos 20 pode ter uma relação como essa aí de cima. Ou pode ter a da vizinha com cara de adolescente que insulta o marido aos berros e é tratada por ele com a mesma candura. Ao som dos gritos do bebê. Vocês já notaram que não há casamento desfuncional sem uma criança? Às vezes eu tenho a impressão que a pressa em fazer filhos é diretamente proporcional ao fracasso que vem pela frente.



Ivan Martins, em sua coluna no site da revista Época. Aviso aos navegantes mais jovens que o tom é pessimista - o que não significa que o texto não valha a leitura. Pelo contrário.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Estariam as agências digitais fazendo o mesmo que as analógicas?

Parece que dá pra separar, mas não dá. Essa prática de comprar conteúdo é velha e bastante diferente de um anúncio. Quem vive de jornalismo há muito tempo sabe o quanto essa prática, historicamente, foi feita para enganar o outro. Inclusive os próprios jornalistas. Eu, por exemplo, não tenho idéia de quantas vezes fui usada para escrever matéria encomendada onde alguém ganhava milhares de reais, enquanto eu achava que estava fazendo o meu trabalho.

Tudo bem, você pode se justificar que, pelo menos, no publieditorial, o blogueiro não é enganado pelos pauteiros. Verdade, mas alguém continua ganhando muito mais que você e, detalhe, você nem percebe essa exploração. Conheço gente que ainda enxerga nessa relação uma vantagem.

Será pura alienação ou falta de valor mesmo?


Ceila Santos, questionando - oportunamente - o modus operandi das agências digitais, que, segundo suas impressões, parecem fazer o mesmo das agências analógicas: vendendo conteúdo. Leia o post completo.



Em tempo 1: Já ouviu falar do blog Desabafo de Mãe? É da Ceila ;D

Em tempo 2: Tive acesso ao texto da Ceila através, novamente, da lista de discussão do Jornalistas da Web, a qual sugiro a todos os jornalistas que gostam e/ou trabalham na área digital.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O Supremo Tribunal Federal, pelos olhos da Piauí



No dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) sugeriu ao senador José Sarney "pendurar as chuteiras", uma boa sugestão é ler o perfil do STF feito pela revista Piauí em sua edição de número 47 - como fez hoje Paulo Henrique Lemos na lista de discussão do Jornalistas da Web.

O primeiro parágrafo do texto escrito por Luiz Maklouf Carvalho e disponível na íntegra, dá uma amostra das revelações:



O primeiro bocejo foi do ministro José Antonio Dias Toffoli. Com as mãos em concha, sobre a boca. Depois foi Gilmar Mendes, com a proteção de uma das mãos, e por três vezes em menos de dez minutos. Marco Aurélio Mello o seguiu, com dois bocejos. Eles escutavam Ellen Gracie ler um relatório. A voz da ministra tem um timbre agradável, mas sem modulação. Em plenário, à exceção de poucas frases curtas sobre questões pontuais, a ministra nunca fala, só lê. E sempre de maneira monocórdica.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Dica do dia: A vinheta de abertura do Jornal Nacional em diferentes partes do mundo



Bom final de semana!


Via @gravz.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Os [esquecidos] heróis brasileiros



No dia 14 de abril de 1945 os três faziam patrulha avançada quando encontraram uma companhia inteira do exército alemão. Poderiam fugir, poderiam tentar se render, mas algo acendeu dentro deles. Um fogo que já se viu em Termópilas, em Massada, um fogo que tantas vezes é descrito na ficção. O fogo de quem não pode ser derrotado, pois se cair viverá para sempre.

Os três enfrentaram a companhia alemã (entre 60 e 200 soldados) até o inevitável fim.


Cardoso, contando a história dos mineiros Geraldo Baêta da Cruz, Arlindo Lúcio da Silva e Geraldo Rodrigues de Souza, que, lutando na Segunda Guerra Mundial, se depararam com soldados nazistas e, ao invés de evitar a batalha, confrontaram os alemães - drama que está sendo contado por Guto Aeraphe no média-metragem Heróis.

Esta e outras indicações de filmes, além de fatos históricos da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, é que fazem o post do Cardoso merecer sua leitura.



Via @CaioLausi.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

We do Logos, ideia inovadora ou um desrespeito aos designers?

O último edição do programa Mundo S/A, da Globo News, apresentou a We do Logos, site de concorrência criativa que inverteu o processo de criação de logomarcas. O cliente é que decide quanto quer pagar pelo trabalho e gerencia as propostas que recebe, tudo através da internet.

Controlado pelo Grupo Young Media, o site tem mais de 230 projetos online, que representam quase R$ 23 mil em aberto. O formato é inovador dentro de nossas fronteiras, porque no exterior, o segmento conhecido como Design Contest System já está consolidado.

O que não siginifica que seja bem visto, em especial por designers, como demonstram as manifestações no Twitter - que geraram, inclusive, uma delicada hashtag. A matéria pode ser assisida neste link.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Dica do dia: Novo Tempo, o novo projeto literário online de Paulo Nogueira

O jornalista Paulo Nogueira possui uma extensa carreira, com passagem por revistas como Veja, Exame e Época. Mas o descobri, infelizmente, há poucos meses, durante uma avalanche de tweets interessantes.

Direto de Londres, ele edita o interessante blog Diário do Centro do Mundo, onde passeia por temas políticos, econômicos e jornalísticos, entre outros. Para minha surpresa - grata surpresa, vale ressaltar -, descobri na noite de domingo que Paulo também viaja pelo universo literário.

Novo Tempo é o seu segundo projeto literário online. Dedicado à sua mãe, o romance se passa na redação de um jornal, chamado de Novo Tempo. O quinto capítulo, "aquele em que o diretor é surpreendido na sua sala pela estagiária", saiu do forno há um dia.

Jornalismo - e todas as características que orbitam em torno dele - e uma pitada de sexo, num texto simples, leve e interessante. Eis Novo Tempo, romance composto por cinco capítulos até o momento que pode ser encontrado aqui.


Dica do dia. Todas as segundas, quartas e sextas sugerindo algo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Dica do dia: As novas músicas do Gorillaz feitas no iPad



Durante 32 dias da Gorillaz North American Tour 2010, a primeira banda virtual do mundo gravou The Fall, que inova por ter sido feito no iPad, com acompanhamento de alguns instrumentos.

Bacana, o trabalho está disponível no site http://thefall.gorillaz.com, gratuitamente - mas para fazer o download, ao contrário do que foi divulgado na edição de fevereiro de 2011 da revista Superinteressante, é necessário fazer parte do fã clube do Gorillaz.


Dica do dia. Todas as segundas, quartas e sextas sugerindo algo.

A internet não é autônoma, com vida própria e acima dos indivíduos



Acreditar que a internet, por si só, fortalece a democracia é uma ideia tão simplória quanto achar que a queda de um governo autoritário sempre dá lugar a um democrático.

E mais, ao contrário do consenso geral, governos totalitários perceberam que o mundo mudou. Notaram que estão em um mundo de abundância de informação e que bloquear urls é coisa do passado. Hoje, usam formas bem mais sutis de censurar as vozes dissidentes.

(...) A melhor forma de censurar a internet é não a censurar, explica o pesquisador em política e internet Evgeny Morozov, em seu polêmico e recém-lançado livro The Net Delusion.



Tiago Dória, compartilhando com seus leitores sua última leitura - interessantíssima, em especial àqueles que trabalham/desejam trabalhar na área técnológica.


Imagem via Flickr de Ahmad Hammoud.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Belo Monte: Um desastre ambiental, técnico e financeiro que prossegue devido à pressão política




Uma obra que agredirá o meio ambiente, que irá gerar problemas sociais e que custará, por baixo, R$ 30 bilhões. Este é o projeto de construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que o Governo Federal trabalha para erguer no rio Xingu, em Altamira, no Pará.

Debatida há anos, a obra entrou em uma nova fase com a abertura de um processo por parte do Ministério Público Federal contra a licença parcial concedida pelo Ibama, dando direito à execução de parte dos trabalhos.

O órgão entende que o recurso de licenças parciais não é previsto em lei e que a permissão para começar a obra estava ligada a uma série de condicionantes, como a criação de postos de saúde e poços de água para atender à população local, o que não ocorreu.

Dois vídeos do Movimento Xingu Vivo [vídeo 1, que tambem pode ser visto acima, e 2] revelam o desastre ambiental que a obra causará. Mas há outros problemas, muito bem colocados pelo cientista político Sérgio Abranches em post no blog Ecopolítica - parte reproduzida abaixo:

A própria imprensa tem contribuído, às vezes, para criar uma impressão errada sobre Belo Monte, ao repetir a informação governamental sobre o projeto. A informação do governo é sempre imprecisa ou inverídica (...) É, portanto, uma usina de porte médio, de baixa eficiência energética, alto custo de construção e operação e alto risco técnico e ambiental. Um projeto discutível do ponto de vista energético, econômico, financeiro e ambiental.

E o que podemos fazer para impedir a construção de Belo Monte? Assinar a petição online contrária à obra. Outra opção é entrar em contato com o Ministério de Minas e Energia pelos telefones (61) 3319-5555, (61) 3319-5258 e (61) 3319-5036 [os dois últimos da Ouvidoria], além do e-mail ouvidoria.geral@mme.gov.br, manifestando nossa contrariedade.

Pode ser pouco, mas quem sabe ações como essas não ganham contornos maiores e mudam o rumo dos acontecimentos?



Em tempo: A senadora Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, concedeu uma boa entrevista para o Terra Magazine, onde expõe a pressão política que envolve o projeto.